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	<title>Blog do Mersão</title>
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	<description>Não me leve muito a sério.</description>
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		<title>Toada da terceira idade</title>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2009 05:29:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mersao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[velhice]]></category>

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		<description><![CDATA[Quão irritantes e ignorantes são aqueles que zombam da velhice sem perceber que estão indo em direção a ela.  E também perversos o são, aqueles que nem zombam nem respeitam, apenas ignoram os que já viveram tempo suficiente para enrugar suas faces, enrijecer suas juntas e anuviar sua visão.
A velhice, como já constatei, é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">Quão irritantes e ignorantes são aqueles que zombam da velhice sem perceber que estão indo em direção a ela. <span> </span>E também perversos o são, aqueles que nem zombam nem respeitam, apenas ignoram os que já viveram tempo suficiente para enrugar suas faces, enrijecer suas juntas e anuviar sua visão.<span id="more-128"></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">A velhice, como já constatei, é sorrateira e dissimulada, não tem pressa, porém não cansa. Quando damos por si, ela já está aqui.</span></p>
<div id="attachment_129" class="wp-caption aligncenter" style="width: 231px"><img class="size-full wp-image-129" src="http://mersao.jaca.com.br/files/2009/05/solidao-1.jpg" alt="velho" width="221" height="349" /><p class="wp-caption-text">velho</p></div>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">Se aos oitenta anos ou mais um velho se dá ao direito de ir ao cinema, por que tantos questionam?<span> </span>Que pressa é essa que nós temos que nos irrita na presença de passos curtos, dolorosos e cansados?<span> </span>Olhares assustados, de baixo pra cima porque a coluna já dói tanto, meio de lado porque o pescoço está rijo. E as mãos trêmulas que já carregaram tantos dos mais novos, que já plantaram o bastante, já alimentaram o bastante e agora parecem recusar-se a fazer mais. Os ouvidos exauridos tão gastos com tanto que já ouviram e agora revoltados com os sons, pois os que mais ouviram foram asneiras.</span></p>
<p><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">Mas e o cérebro este incansável. Processa tudo rápido e conclui sem muito esforço de que tudo que vê de errado ainda está errado pois não aprendeu ainda como é o certo.<span> </span>Pobres almas imaturas. Quando perceberem já será tarde demais.</span></p>
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		<title>A desinteressante história de Mara.</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Dec 2008 01:33:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mersao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[
Prólogo:
Estranho usar um prólogo para um post aqui no blog, mas gostaria de deixar claro duas coisas:
1) Não plagiei Kafka porque não sou digno de tanto, mas é obvio que A Metamorfose foi o estopim de inspiração para este texto.
2) O texto é longo, talvez você se canse antes da metade. Mesmo sabendo disto decidi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0 21   false false false        MicrosoftInternetExplorer4  &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;   &lt;![endif]--><!--[if !mso]&gt;--><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0 21   false false false        MicrosoftInternetExplorer4  &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;   &lt;![endif]--><!--[if !mso]&gt;--></p>
<p class="MsoBodyText"><strong>Prólogo</strong>:</p>
<p class="MsoBodyText">Estranho usar um prólogo para um post aqui no blog, mas gostaria de deixar claro <strong>duas </strong>coisas:</p>
<p class="MsoBodyText">1) Não plagiei <a title="Kafka" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Franz_Kafka" target="_blank">Kafka </a>porque não sou digno de tanto, mas é obvio que A Metamorfose foi o estopim de inspiração para este texto.<br />
2) O texto é longo, talvez você se canse antes da metade. Mesmo sabendo disto decidi postá-lo inteiro, de uma vez só. Sendo assim, se achar que é interessante pode lê-lo em várias etapas.</p>
<p class="MsoBodyText">
<p class="MsoBodyText">
<p class="MsoBodyText"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">Mara<span> </span>não pode crer que já passavam das 11h da manhã quando ela acordou. Como pode dormir tanto? Na noite anterior fora para cama, como de costume, antes das 10h30! Havia dormido mais do que doze horas seguidas. Com os olhos abertos, deitava sobre seu lado direito ela contemplava o relógio sobre o criado mudo. Estática. Seu Pai chegaria as 12h10 para almoçar como fazia todos os dias. O Pai de Mara<span> </span>era analista contábil num escritório que ficava a<span> </span>três quarteirões do apartamento de dois quartos onde viviam na região central de Londrina. A Mãe <span> </span>estava no Japão. O único irmão de Mara<span> </span>casou-se com uma nissei e foram trabalhar no Japão. Dezoito meses após o casamento a cunhada de Mara<span> </span>engravidou dos gêmeos e sua Mãe fora para lá para auxiliar o jovem casal. A intenção era ficar no máximo seis meses. Já se passaram oito anos. Quando a Mãe <span> </span>foi para o Japão Mara<span> </span>era uma adolescente de quatorze anos. Assumiu desde então as funções da casa. A princípio falava com a Mãe duas vezes ao mês, depois uma vez ao mês, depois em datas especiais como aniversário, natal e nos últimos dois anos só soubera notícias da Mãe <span> </span>irmão e sobrinhos através de recados dados pela família de sua cunhada. O relacionamento o seu Pai<span> </span>era quase mecânico. Sem carinho nem conversa. Ela tratava de deixar a casa em ordem e ele tratava de deixa-la em paz. Carregava agora a cruz que seria da própria Mãe . Não sentia rancor ou mágoa pela sua situação. Mara<span> </span>apenas vivia&#8230; </span><span id="more-121"></span></p>
<p class="MsoBodyText"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">&#8230;Olhou para o relógio novamente que marcava 11h18. Ela ainda deitada na mesma posição. De repente veio-lhe a lembrança dos anos de ginásio. Mara<span> </span>não concluiu os estudos. No primeiro ano na ausência da Mãe decidiu não estudar para melhor cuidar do apartamento e de seu Pai . No outro ano resolveu deixar para o outro e com o tempo Mara isolou-se. Perdeu contato com os poucos amigos que tinha. Passava dias sem sequer sair de casa. Nunca tivera um namorado, nunca sequer experimentara o gosto de um beijo. Não tinha o hábito de ler, ouvia muito pouco ao rádio e televisão raramente era ligada. A vida de Mara resumia-se a ver a vida passar. Mas lembrou-se da sétima série quando teve que apresentar um trabalho de educação artística. Mara apresentou como se estivesse num elevador, rodeada por estranhos. Foi tão imparcial e o seu trabalho tão sem sentido que o professor deu a nota máxima para não correr o risco de ter que ver algo parecido novamente. Seus colegas a tratavam com o respeito que se dedica a um vaso. Não a maltratavam nem a incluíam ao meio estudantil. Ali, Mara apenas existia. Para ela tudo isso eram cenas desconexas que aconteceram um dia. No relógio eram 11h23. Daqui a pouco seu Pai chegaria para almoçar e ela sequer mexeu-se desde a hora que acordou. Não lembrava de um dia ter estado na cama até tal hora. Fica ali imóvel contemplando o nada. Piscou e de repente olhou para o relógio novamente. Eram 12h20. Meu Deus! Dormira novamente! Ouviu seu Pai andando pela casa&#8230;<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">&#8230;O Pai de Mara estranhou o fato das coisas<span> </span>não acontecerem como acontecem todos os dias. O que teria acontecido que a comida não estava preparada, a mesa não estava posta? Nos últimos oito anos as coisas aconteciam desta forma. Como poderiam ter mudado sem aviso prévio. Sua vida era uma regra. Não havia exceções. Sentou-se à mesa e começou a descascar um mamão. Seria seu almoço. Não era uma má pessoa. Também não era o estereótipo de uma pessoa boa. Simplesmente era um ser humano que vivia, trabalhava, tinha uma moradia, alguns amigos. Tudo bem, amigos mesmo não tinha, mas também não sentia falta deles.<span> </span>O Pai de Mara casou-se aos vinte e quatro anos com a Mãe <span> </span>de Mara . Aos vinte e seis soubera que seria Pai . O irmão de Mara nasceu quando ele tinha vinte e sete. Quando tinha vinte e nove descobriu que era um diabético. Corria risco de morte. Começou o tratamento que o livrou da morte, controlou sua doença e apagou o brilho da sua vida. As drogas usadas para combater o diabetes deixaram-no impotente. Ele não era o tipo que levava as mulheres à loucura. Mas mantinha um desempenho medíocre, como mantém a maioria dos maridos deste planeta. A Mãe de Mara sentiu a ausência inexplicável do marido, mas nada comentou. O Pai <span> </span>de Mara sofria em silêncio. Desde então ocupavam a mesma cama, o mesmo quarto, o mesmo lar, mas já não eram um casal. Ele não tinha coragem de falar sobre o assunto nem com o seu médico. Amargava aquela situação silenciosamente. A Mãe de Mara via o sonho de um casamento feliz como sonha noventa e nove por cento das mulheres transformar-se em algo pior que ruim. Era algo pífio, sem valor algum. Algo que não merece sequer a demonstração de desprezo. Uma coisa que existe só por existir, sem finalidade. Passaram-se dois anos e um dia a Mãe de Mara chegou ao seu Pai e disse: “Estou grávida”&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana"><span> </span>O Pai <span> </span>de Mara nada comentou. Sequer esboçou alguma reação. Mara nasceu por cesariana numa terça feira à tarde. Aproveitando o corte da cirurgia a Mãe <span> </span>de Mara fizera também ligação das trompas. Não pretendia mais ter filhos. Dois dias depois o Pai de Mara estava num cartório fazendo o registro de nascimento da filha da sua esposa com outro homem que não pretendia saber quem era. O nascimento de Mara trouxe a seu Pai um pouquinho de dignidade. Não era o Pai biológico, mas era um Pai . Talvez, na sociedade, aqueles que ainda não sabiam da sua impotência, acreditassem que ele fazia parte de um casamento verdadeiro, no mínimo comum. Sim! Mara era sua filha. Quem duvidasse que lesse o documento de registro de nascimento. Estava escrito ali, com todas as letras, que aquela menina era sua filha. Vinte e dois anos depois, ele estava ali, comendo um mamão, sozinho na cozinha de seu apartamento ainda perturbado com a situação. O que será que acontecera? Olhou para o relógio. Eram 13h00. Levantou-se, foi até o banheiro e escovou os dentes. Deixou o apartamento às 13h05 como fazia britanicamente todos os dias. Concentrava-se agora no seu trabalho&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">&#8230;Mara ouviu o Pai sair. O que será que ele comeu? Teria ficado chateado? Como ela poderia ainda estar na cama. Na mesma posição. Esperava recompensar a falha no jantar. Normalmente, o jantar na casa de Mara era a sobra do almoço. Fazia sempre a mais no almoço e esquentava para o jantar. Após o jantar que acontecia diariamente as 19h00 ela lavava as louças e deixava a cozinha em ordem.  Depois disso, antes de dormir, cuidava de um afazer aqui<span> </span>e outro ali. Seu Pai às vezes via TV, às vezes lia e na maioria das vezes trancava-se no seu quarto. Mara <span> </span>teve outra lembrança de sua vida. Lembrava-se que aos nove anos de idade, foram em família almoçar num domingo num restaurante que ficava às margens do lago Igapó. Esta era uma cena singular. Não conseguia ver um significado naquilo. As outras mesas cheias com famílias inteiras devorando sua refeição em meio a risadas e muita conversa. Na mesa onde estava Mara parecia uma reunião de bonecos de testes. Ficou perguntando-se por que saíram para comer fora exatamente o que comiam em casa. Seu irmão era o mais humano da família. Conversava mais, tinha amigos, sorria! Seu irmão sorria! Ela o admirava. O irmão de Mara sorria! Mara olhou para o relógio. Não acreditava no que os olhos viam. Eram 16h11. Ela ainda deitada sobre o lado direito do corpo. Mesmo para Mara , a situação começou a incomodar. Vou levantar! Preciso sair da cama agora &#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">Tentou virar-se. Tentou mexer a perna. Tentou mexer o braço. Tentou abrir a boca. Mara estava paralisada. Só conseguia respirar e abrir e fechar os olhos. Nada mais conseguia fazer. Assustou-se. O que teria acontecido. Ninguém fica assim de uma hora para outra. Estaria Deus a castigando por não ter tratado seu Pai de forma adequada. Seria aquilo uma armadilha da própria vida? Da vida que não vivera? Era isso que acontecia com pessoas que esqueciam de viver? Fechou os olhos. Estava exausta. Pensaram em tanta coisa num espaço tão curto de tempo. A pacífica, a insossa, a impotente Mara não era uma pessoa que questionasse qualquer coisa. Por que agora? Abriu os olhos preparada para ver que já teria passado bastante tempo. Errou. Eram 16h12. Não! Que castigo era esse. Agora que percebera que seu corpo tornara-se um reflexo da sua alma, inerte e sem sentido, o tempo desacelerara. Sua cabeça era um conjunto de por quês.<span> </span>Quando seu Pai chegasse as 18h10 como fazia diariamente ficaria curioso e certamente a procuraria no quarto. Veria seu estado e a ajudaria. Em duas horas então ela teria algumas respostas. Acalmou-se. Piscou. Eram 19h30 e ainda estava no quarto, deitada na mesma posição. Somente a luz do mostrador digital do relógio dava alguma luz ao quarto. Ouviu seu Pai andando pela casa. Pensou: se posso ouvir talvez a lesão ou seja lá o que for que tenha sofrido não seja tão grave. Surpreendeu-se com seu pensamento. Não era habituada a ter conclusões. Era quase um robô.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">&#8230;Na sala sentado em frente à televisão o Pai de Mara estava intrigado com a situação. O que teria acontecido. O almoço não estava pronto e agora o jantar! O telefone tocou. Era um som quase nunca ouvido naquele lugar. No quarto toque ele atendeu. Era seu irmão. O tio de Mara . O tio de Mara era mais um dos poucos seres humanos de verdade que havia na família. Ligava ou visitava seu Pai algumas vezes ao ano. Nem as ligações nem as visitas duravam muito. Eram efêmeras. Mara no quarta ouvia seu Pai respondendo ao questionário que o tio fazia do outro lado da linha. Am ram&#8230;ta bom&#8230;obrigado&#8230;estou bem&#8230;no mesmo jeito&#8230;ela?&#8230;ta bem. Mara ouviu seu Pai colocando o fone no gancho. Na sala seu Pai lembrou-se da filha. Onde ela estaria? Talvez estivesse cansada da vida que levava. Talvez finalmente sentiu saudades da Mãe</span><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">. Poderia estar doente. Lembraria-se de no dia seguinte perguntar a ela. O Pai de Mara levantou-se da poltrona, desligou a televisão e foi para seu quarto onde se trancou.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">Mara no seu quarto escuro ficou triste. Uma lágrima solitária brotou de seus olhos. Seria o ‘ela’ que ouviu da boca de seu Pai falando ao telefone? Por que ele não viera ter com ela. Por que ele mantinha-se longe dela? O que estava acontecendo? Voltou a pensar na possibilidade de ser um castigo. Ela estava pagando por ter desperdiçado a vida. Novamente assustou-se consigo mesma. Acabara de ter mais uma conclusão. Pensou que o castigo lhe tirara os movimentos em troca da percepção do mundo. Percebia mais claramente, agora, muita coisa. Muita coisa veio à sua mente. As respostas surgiam claras e instantâneamente. Percebeu então que preferiu existir a viver. Preferiu servir que contribuir. Assumiu o papel que lhe fora imposto. Foi um estepe. Deixou que decidissem por ela. Aceitou todas as decisões e imposições. Nunca questionou um pedido. Era escrava da rotina. Seus dias eram rigorosamente idênticos. Vivera escondida do resto do mundo. Não sabia quem era. Não conhecia sequer seu próprio Pai. Era uma pessoa assexuada. Não tinha desejo. Nunca planejou nada. Não era vaidosa. Não era simpática. Desprezava o mundo. Pensava que podia viver sozinha. Protegida de tudo. Não evoluía. Mara era uma afronta. Uma combinação biológica que funcionava. Era o exemplo do que é ser nada. Não conseguia lembrar da última vez que esboçara um sorriso. Sequer conseguia ter um sentimento. Que fosse ódio, raiva, amor ou com paixão. Mara não sabia o que era sentir&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">&#8230;Tudo era uma tempestade numa cabeça desabituada a pensar. Começou a sentir dores de cabeça. Pensou: “vou morrer”e então veio uma pergunta sonora que ecoou pelo seu atrofiado cérebro: “consideras que sua existência é viver?”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">O Pai de Mara levantou-se as 07h00 do outro dia, como sempre o fazia. Escovou os dentes, viu que o café não estava posto. Lembrou-se do dia anterior. Resolveu sair um pouco mais cedo que o de costume. Comeria algo na padaria da esquina. Já estava gostando desta nova opção. Lembrou-se que no dia anterior inclusive o cumprimentaram.<span> </span>Talvez ele mudasse um pouco a vida. Afinal ele também merecia uma vida um pouco mais apimentada. Lembrou-se que precisava conversar com a filha. Resolveu não almoçar em casa quebrando assim uma rotina militarmente seguida. À noite, chegou em casa e viu que nada mudara. Não havia jantar. Tomou banho e comeu uma banana que já estava passando do ponto de madura. Não ligou a TV, não pegou no jornal para ler. Inexplicavelmente resolveu dar uma volta. Não saia de casa à noite já fazia anos. Ficou pela vizinhança e passou na padaria onde tomou um café com leite. Voltou para casa, foi direto para o quarto e trancou-se. No outro dia estava em pé as 07h00. Tomou banho, viu que novamente não havia café. Saiu para o trabalho e decidiu que naquele dia conversaria com a sua filha.<span> </span>A noite, chegou em casa às 22h00. Era uma semana diferente. Sua rotina estava mudando e ele estava assustado e um pouco excitado com tudo aquilo. Tomou um banho e foi dormir&#8230;. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">Na manhã seguinte, quando Pai de Mara estava deixando o apartamento, sua vizinha o esperava na porta do apartamento. Perguntou se o cheiro forte que estava naquele andar era de seu apartamento. O Pai de Mara estranhou, pois não sentira cheiro algum. Na verdade, este era mais um efeito colateral dos remédios para diabetes. Seu olfato era péssimo. Contudo, arriscaria a chegar atrasado naquele dia, coisa que nunca acontecera antes, mas iria verificar. Resolveu entrar e com a ajuda da vizinha começaram a procurar a causa do odor. Primeiro olharam dentro do forno, depois geladeira, no gabinete da pia da cozinha e tudo na mais perfeita ordem. No Lixo algumas cascas de frutas incapazes de produzir um odor tão forte.<span> </span>Na área de serviço tudo em ordem também. Olharam tudo em todos os cantos até que finalmente foram ao quarto de Mara.</span></p>
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		<title>Coisas que aprendi ficando de repouso em casa.</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Nov 2008 17:35:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mersao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
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		<category><![CDATA[ensinamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[
Se você tiver um segredo      realmente importante, vá contá-lo num programa vespertino! É o que qualquer ser humano normal      faria.

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			<content:encoded><![CDATA[<ol style="margin-top: 0cm" type="a">
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">Se você tiver um segredo      realmente importante, vá contá-lo num programa vespertino!<span> </span>É o que qualquer ser humano normal      faria.<br />
</span><img class="alignnone" src="http://home.areavip.com.br/news/imagens/fotos/1211.jpg" alt="" width="300" height="200" /></li>
<li class="MsoNormal"><span id="more-113"></span><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">Compre uma centrífuga para      sucos que é tão boa que faz suco de mandioca! Deve ser uma delícia.<br />
</span><img class="alignnone" src="http://rmtonline.globo.com/banco_imagens/noticias/%7B58BCA399-0D9C-43F7-A7D6-B199AAD0556D%7D_mandioca.jpg" alt="" width="192" height="155" /></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana"><span> </span>Compre uma escada que tem oito utilidades      – difícil de imaginar. Você não pode viver sem uma destas!<br />
</span><img class="alignnone" src="http://img.mercadolivre.com.br/jm/img?s=MLB&amp;f=62793764_7051.jpg&amp;v=P" alt="" width="250" height="250" /><br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=6ZhMfzc9RbU&amp;eurl=http://www.fhbd.org/forum/index.php?topic=4845.msg83821">E não funciona!!!</a></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">Não perca as esperanças. Pelo      menos uma vez por semana você poderá assistir à ‘Curtindo a vida adoidado’      na sessão da tarde.<br />
</span><img class="alignnone" src="http://i167.photobucket.com/albums/u123/emulinhabr/info01/curtindo_vida_adoidado.jpg" alt="" width="250" height="391" /></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">Convide seus amigos para um      churrasco e faça tudo no George Foreman Grill – fica uma merda, mas o cara      da propaganda garante que é muito melhor.<br />
</span></p>
<p><div class="wp-caption alignnone" style="width: 246px"><img src="http://teoriadascores.files.wordpress.com/2007/10/george-foreman-grilling.gif" alt="a imagem que mostram sempre é limpinha ha ha ha " width="236" height="236" /><p class="wp-caption-text">a imagem que mostram sempre é limpinha ha ha ha </p></div></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">Aproveite o dia das crianças      e compre maminha maturada pela metade do preço! O que tem a ver uma coisa      com a outra? Não sei. Mas parece que o cara que bolou esta propaganda, eu      juro, passou mesmo na TV, deve ser parente daquele pão duro que anunciou      no jornal: “Sarah morreu. Vendo corcel 73”.<br />
</span></p>
<p><div class="wp-caption alignnone" style="width: 210px"><img src="http://www.quitandinha.com/images/maminha_bloco.jpg" alt="Um ótimo presente para o dia das crianças!" width="200" height="200" /><p class="wp-caption-text">Um ótimo presente para o dia das crianças!</p></div></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">As rádios tocam todo dia a      mesma música no mesmo horário. Um robô facilmente substitui o locutor.<br />
</span><img class="alignnone" src="http://files.nireblog.com/blogs/novasorocaba/files/radio-antigo-foto-04-boa.jpg" alt="" width="284" height="208" /></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">Algumas coisas não acabam      nunca: o caminhão do gás, o cara da pamonha, do churros, da páááásta de      brilho que deixa seus alumínios um espelho. Se você estiver em casa      durante a semana, você os ouvirá.
<p></span><img class="alignnone" src="http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/files/2006/03/sonho.jpg" alt="" width="450" height="265" /></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">O vídeo show perdeu a graça.<br />
</span><img class="alignnone" src="http://www.verafigueiredo.com.br/veraf_videoshow.jpg" alt="" width="126" height="94" /></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">Você dormirá na parte da      tarde. Fará uma longa siesta. À noite perderá o sono.<br />
</span><img class="alignnone" src="http://www1.istockphoto.com/file_thumbview_approve/6020843/2/istockphoto_6020843-siesta-time.jpg" alt="" width="274" height="380" /><img class="alignnone" src="http://cantinhodamari.files.wordpress.com/2007/09/insonia.gif" alt="" width="422" height="422" /></li>
</ol>
<p class="MsoNormal" style="margin-left: 18pt"><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left: 18pt"><span style="color: #333300"><strong><span style="font-size: 11pt;font-family: Verdana">E de repente, por mais que isto pareça estranho, sinto uma saudade imensa do trabalho.</span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left: 18pt">
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		</item>
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		<title>Na hora de empreender, não se esqueça do elemento humano</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Oct 2008 01:52:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mersao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[atender]]></category>
		<category><![CDATA[empreender]]></category>
		<category><![CDATA[treinar]]></category>

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		<description><![CDATA[Lembram daquela piadinha velha sobre a construção do mundo? Quando questionado sobre tantas belezas e recursos naturais num único país enquanto outros tinham tantas mazelas, Deus respondeu ao anjo: “Calma meu filho, você verá o povinho que colocarei ali.”

Meu objetivo neste post é falar sobre o quanto tenho visto por aí da aplicação prática desta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Lembram daquela piadinha velha sobre a construção do mundo? Quando questionado sobre tantas belezas e recursos naturais num único país enquanto outros tinham tantas mazelas,<span> </span>Deus respondeu ao anjo: “<em>Calma meu filho, você verá o povinho que colocarei ali.</em>”</span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Carnaval" src="http://socorrismo.files.wordpress.com/2008/02/carnaval.gif" alt="" width="400" height="302" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Meu objetivo neste post é falar sobre o quanto tenho visto por aí da aplicação prática desta piada infeliz. Infeliz, é claro, para quem vive aqui e convive com a ‘lei de <em>Gerson’</em> e também, para quem investe muito dinheiro num negócio novo, caprichando em tudo menos no principal elemento: o humano.</span><span id="more-95"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Não sou consultor empresarial, não ganho dinheiro dando conselhos nem sou empreendedor. Então, caro empreendedor, caso tenha paciência para ler este texto, faça isto como quem está sentado à mesa de um boteco ouvindo as opiniões de um cara que é especialista em uma coisa: <strong>ser consumidor e gostar de ser bem atendido</strong>.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Situação número um – descritivo.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Sábado de manhã me dirijo a um supermercado próximo de casa. Estou de jejum e então antes de fazer as compras decido ir até uma cafeteria que fica dentro do mercado para tomar um café e comer algo.<span> </span>O lugar é muito bonito. Um balcão de granito preto enorme rodeado por várias banquetas altas de alumínio e em seu interior tudo o que tem de melhor para uma loja especializada em vender café.<span> </span>Aproximo-me do balcão para pedir um café médio com leite mais um pão de queijo. A atendente está ao telefone. Naquele momento encontra-se só no atendimento da cafeteria. Aguardo o atendimento enquanto ela finaliza a ligação. Não consigo evitar ouvir à conversa. O assunto qual é? Namoro.<span> </span>Ela está com alguma amiga, presumo, reclamando do que o namorado fez na noite anterior. Passa tanto tempo ao telefone que consigo saber que eles já haviam terminado algumas vezes. Que o cara é mulherengo e beberrão. Que a mãe dela não gosta dele. Sei inclusive, que um amigo dele está querendo sair com ela e isto a está deixando tentada. Daí isto tudo me deixa enojado e resolvo sair. Do lado de fora tem uma cantina pequena e mal arrumada. Vou lá comer algo. A senhora que está do lado de dentro do balcão de azulejos encardidos lembra uma tia italiana e bonachona. Me é muito simpática e me atende de pronto. Como uma esfirra de carne e tomo um refrigerante. Nada comum para o que costumo comer no café da manhã mas a simpatia da dona da cantina fez valer a pena.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="ao telefone" src="http://www.marcosleal.art.br/Galerias/mulher%20ao%20telefone%20II...50x70cm.jpg" alt="" width="354" height="504" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Situação número um – conclusões.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Primeiro queria deixar claro que a situação narrada não é fictícia. Eu realmente passei por isso. Daí você pode me chamar de impaciente, nervosinho e por aí vai. Mas eu como cliente, quero ser bem tratado. Eu pago por isto!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">A atendente infeliz no namoro com certeza não é a dona da cafeteria. E com mais certeza ainda não tem em seu trabalho nenhum motivo de orgulho. E o dono(a) da loja? Onde estaria ele? Em casa dormindo o sono dos justos afinal é um proprietário e não um reles atendente? O que faz uma pessoa investir tanto dinheiro num negócio, pagar um aluguel bastante alto por um ponto num movimentado supermercado e colocar uma pessoa daquela estirpe para cuidar de tudo isto?<span> </span>Não quero crucificar a atendente. Ela não tem culpa. Duvido que tenha recebido algum treinamento que valesse a pena. A culpa é da pessoa que investiu mais no granito e nas banquetas de alumínio e esqueceu de que aquilo por si só não resolvia. Um negócio sem pessoas é só um prédio cheio de equipamentos. Não tem alma. Não encanta. Não fideliza. <span> </span>Não melhora, no caso, o gosto do café!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="treinamento" src="http://www.brickshelf.com/gallery/bhamilto1/BrickTopia/CapitalistPigSchool/zstocks.jpg" alt="" width="360" height="480" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Situação número dois – descritivo.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Ao lado do meu trabalho tem um restaurante que não consegue definir sua personalidade. Não decide-se entre ser boteco ou restaurante. Mas isto não é problema. O problema é o que vou relatar. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Este local faz a melhor chuleta da região. Se você não se importa de sair de um local cheirando a bife, seria certamente um local que gostaria de freqüentar. A comida é simples e boa. Mas um dia o local fechou para reforma. Os dias iam passando e a fachada  ganhando cara nova. No trabalho confabulávamos sobre o que iria abrir ali. Tinha cara de padaria paulistana, aquelas que têm de tudo e o pão francês é só um detalhe. Seria ótimo pois faltava mesmo uma naquela na região.<span> </span>Coisa de três meses depois o local estava pronto. Bonito, com algumas televisões de plasma na parede, mesas de madeira novas e um balcão novinho e bem decorado.<span> </span>Mas não era padaria, era um restaurante boteco novamente.<span> </span>Na primeira manhã que vi a nova casa aberta parei lá para tomar um café. Gosto muito do meu local tradicional onde tomo café diariamente, mas sempre que surge algo novo gosto de experimentar. <span> </span>Uma bela máquina de café expresso dava o tom do local. <span> </span>Entrei e pedi um café mais um pão com manteiga. A moça que me atendeu quase me deixa surdo quando grita com fôlego de uma soprano espanhola “<em>um pão com manteiga</em>”<span> </span>para o cara que estava lá na chapa. Não parou por aí. Ela retirou o café daquelas máquinas de coador onde o café sai sempre com gosto de pano e usou a máquina de café expresso apenas para esquentar o leite. Mais um detalhe, o cano de vapor da máquina estava sujo com leite já seco e ela nem sequer o limpou. Daí pra frente foi uma triste visão da falta de bom senso. O balcão estava sujo, tinha gente fumando dentro do local, os atendentes estavam com aventais bastante sujos e mais uma dezena de coisas impróprias.<span> </span>Foi a primeira e última vez que entrei lá.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="pedreiro" src="http://www.permutalivre.com.br/img_servico/grande/img11297s.jpg" alt="" width="250" height="315" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Situação número dois – conclusões.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Tudo o que foi concluído na situação um cabe aqui. Só tenho mais uma pergunta: por que o proprietário(a) gastou tanto dinheiro? Por que não deixou como estava? Se tivesse comprado somente uma tevê de plasma em vez de três, ia sobrar dinheiro para um bom treinamento para os atendentes. No mais, tirem suas conclusões.<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Situações diversas que já presenciei – descritivo. </span></strong></p>
<ul style="margin-top: 0cm;" type="disc">
<li class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Uma      vez aproximando-se de uma tratoria da praça de alimentação de um shopping,      abri a carteira e retirei meu visa vale. A menina que estava atrás do      balcão gritou: “<em>Não aceitamos este      cartão!!</em>”, ela gritou mesmo! Eu tenho mais de um tipo de cartão e      inclusive naquela ocasião também tinha dinheiro. Apenas me dirigi a outro      local para comer.<span> </span>Pesquisem quanto      custa um aluguel de um espaço num shopping movimentado de São Paulo de      depois tirem suas conclusões.</span></li>
<li class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Entrei      numa loja e perguntei o preço de uma camiseta. O atendente me disse: “Esta      é cara, mas temos outras mais baratas”.<span> </span>Saí me achando a pessoa com cara de miserável mais evidente do      mundo. Obvio que não comprarei nunca naquela loja.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone" title="pobre" src="http://bp0.blogger.com/_vH53UaSXRCQ/Ru_HF0-EgCI/AAAAAAAAAA0/P_-Phcri1-E/s320/1.gif" alt="" width="320" height="233" /></p>
<ul style="margin-top: 0cm;" type="disc">
<li class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Numa      pastelaria a atendente mascando um chiclete rosado, debruçada no balcão      ficou olhando pra mim sem dizer nada. Como já tinha comido um pastel ali e      gostado fui logo pedindo: um pastel de carne, por favor. Ela disse:      “espera um pouquinho que a moça que frita foi no banheiro”, e continuou      mascando o chiclete rosado debruçada no balcão.<span> </span>Eu disse que voltaria depois. Talvez em      outra vida.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone" title="mascando" src="http://i188.photobucket.com/albums/z99/fisicomaluco/chiclete.jpg" alt="" width="268" height="297" /></p>
<ul style="margin-top: 0cm;" type="disc">
<li class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Comprei      uma calça jeans para minha sobrinha no aniversário dela que custou 150      reais. Como somos muito próximos disse a ela que se ela quisesse poderia      trocar por outra. Ela decidiu fazer isto. Foi ate a loja e trocou por uma      calça de 70 reais. O vendedor cobrou uma diferença de 10 reais.<span> </span>Minha irmã comentou o fato comigo e      então tive que revelar o valor do presente. No outro dia fui pessoalmente      com minha sobrinha na loja, desfiz a troca, exigi o dinheiro de volta.<span> </span>Ela foi à outra loja da mesma rede e      trocou por duas calças do seu gosto. Eu era cliente assíduo da loja que      tentou enganar minha sobrinha. Nunca mais voltei lá. </span></li>
<li class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Ainda      presenciei inúmeras ocasiões de falta de higiene, falta de educação,      funcionários que não têm noção de educação, caixas que não sabem fazer      conta e por aí vai.</span></li>
<p><span style="font-family: Verdana;"><br />
</span></ul>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone" title="desespero" src="http://www.benett-o-matic.blogger.com.br/Desespero.gif" alt="" width="425" height="402" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Situações diversas que já presenciei – conclusões. </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Para evitar todas estas situações descritas acima, não precisa de muito investimento. Precisa de treinamento.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Ah! É claro que no caso da troca das calças, aplicação da boa ética é fundamental. Mas isto deve-se avaliar no recrutamento e enfatizar na hora de ensinar o trabalho. O exemplo da boa ética vem sempre de cima para baixo. Se o proprietário for uma pessoa de caráter esta caracteristica irá evidenciar-se em seu negócio. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Eu falei de locais onde sempre o contato é face to face, cara a cara. Teria uma outra longa história só para falar sobre telemarketing, serviços por telefone, recepção de edifícios empresariais e por aí vai.<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">É isso!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"> </span></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Então era micose&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Oct 2008 00:35:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mersao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[Micose]]></category>

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		<description><![CDATA[ Existem certas coisas que nos pegam desprevenidos. Uma visita inesperada e muitas vezes indesejada, um telefonema, o soar da campainha justamente na hora que ela&#8230;. Bem, uma vez fui desprevenidamente surpreendido por uma micose. Micose é algo tão ruim, tão intrometido que quase sempre se aloja nas entranhas mais secretas de nosso corpo. Geralmente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>Existem certas coisas que nos pegam desprevenidos.<span> </span>Uma visita inesperada e muitas vezes indesejada, um telefonema, o soar da campainha justamente na hora que ela&#8230;.<span> </span>Bem, uma vez fui <em>desprevenidamente </em>surpreendido por uma micose. </span><span id="more-81"></span><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Micose é algo tão ruim, tão intrometido que quase sempre se aloja nas entranhas mais secretas de nosso corpo.<span> </span>Geralmente naqueles locais que precisamos fazer <em>contorcionismo </em><span> </span>com um espelho para conseguir examinar.<span> </span>Pois é, no meu caso a micose era na virilha. Primeiro pensamento:<span> </span>&#8220;Ah, é uma <em>assadurazinha</em>.<span> </span>Transpirar feito tampa de marmita dá nisso.<span> </span>Compra hipoglos e passa&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Hipoglos" src="http://www.maxdemian.blogger.com.br/hipoglos.jpg" alt="" width="450" height="300" /></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>Você já <span>usou</span> esta maldita pomada? As mães por tradição (ou seria instinto) besuntam as bundinhas de seus filhos com esta gosma para evitar assadura.<span> </span>Não quero fazer nenhuma propaganda contra esta marca/produto.<span> </span>Mas usar coisa é tão ruim que dou razão às crianças que fazem birra. Receber uma camada espessa daquela &#8216;graxa&#8217; mau cheirosa é um ótimo motivo para fazer birra. Para cada vez que a mãe passa isso no filho merece de castigo uma sessão de birra no meio do supermercado.<span> </span>Depois perguntam por que bebês vomitam tanto.<span> </span>Sente o cheiro daquilo, é horrível!</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>Bem, tava incomodando muito então passei na farmácia. &#8220;Tem hipoglos?&#8221;.<span> </span>O balconista me olhou com cara de espanto.<span> </span>A pergunta era óbvia demais.<span> </span>“É claro que temos hipoglos!”, deve ter pensado. Afinal de contas as mães são hipnotizadas durante a gravidez para comprarem e usarem esta meleca enquanto seus filhinhos usarem fraldas. Mas ele apenas respondeu: &#8220;Sim.&#8221;<span> </span>Comprei.<span> </span>Até que é barato, coisa de alguns reais.<span> </span></span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>Chegando em casa com a hipoglos na mão, corri ao banheiro, tomei um bom banho e no quarto &#8216;engraxei&#8217;, quer dizer, fiz a aplicação da pomada. Meu Deus!<span> </span>Que coisa mal cheirosa, <em>melequenta</em> e que insiste em permanecer nos dedos.<span> </span>Nem com sabão em pó aquilo sai.<span> </span>Nunca reparei direito, mas as mães devem usar uma espátula.<span> </span>Pelo menos após a primeira ou segunda aplicação. <span> </span>Estava crente que no outro dia estaria curado.<span> </span>Afinal tinha passado &#8216;hipoglos&#8217;.<span> </span></span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>Ao acordar percebi que além de não ter tido nenhum efeito, tinha piorado.<span> </span>Aquela graxa manchara minha roupa, e dera um tom azulado para a região de minhas virilhas.<span> </span>Pensei comigo &#8220;à noite faço uma segunda aplicação e daí sim&#8230;&#8221;. A segunda aplicação também fora um fracasso.<span> </span>Desisti da hipoglos. </span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Passei para leite de colônia.<span> </span><em>UUUAAAUUUU!!!!</em> Só fez arder e nada.<span> </span>Outra pomada:<span> </span>Fibrase.<span> </span>Essa era cara, não devia ter a mesma saída da anterior, mas que também não resolveu nada.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>Solução drástica.<span> </span>Procurar um médico.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: center;"><a href="http://mersao.jaca.com.br/files/2008/10/mulher-medica.jpg"><img class="aligncenter" title="Médica Linda" src="http://www.desesperadaesperanca.com/images/jennifer%20morrison.jpeg" alt="" width="297" height="400" /></a></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>A Dra. Regina, como de costume, me atendeu muito bem. Depois de falarmos sobre Londres, comida, big brother, calor, ginástica, etc. quase já indo embora, eu falei do meu problema.<span> </span>Sim, embora eu tente de todas as maneiras parecer o contrário, sou muito tímido. Me expor é custoso demais, mas venci a timidez.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>&#8220;Vamos dar uma olhadinha.&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>&#8220;Então terei que tirar as calças?&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>&#8220;Sim, ainda não consegui desenvolver bem minha visão de raio X.&#8221; Ela era linda e irônica então&#8230; Tive medo de ter uma ereção então comecei a pensar no Pelé.<span> </span>Nada contra o rei, mas nada mais broxante quando o indominável resolve acordar.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>&#8220;Uhmmmmmm.&#8221; Ela fez um uhmmm muito longo!</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>&#8220;Que foi, é sério?!&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>&#8220;Não, é micose.&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>&#8220;Deve ter sido a piscina.&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>&#8220;Não, tua imunidade é que tá baixa, tenho um bom remédio para isso.&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>&#8220;Mas, assim, para aliviar este incômodo a senhora não tem nada.&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>&#8220;Veja só como você tem sorte.<span> </span>Trouxe estas amostras de casa hoje!&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>&#8220;Legal!&#8221; – além de tímido também sou muito pão duro, na verdade só duro, vivo sem dinheiro.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>&#8220;Tem loção cremosa e spray.&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>&#8220;Spray parece melhor.&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>&#8220;Mas tem um pouquinho de álcool.<span> </span>Pode arder um pouquinho.<span> </span>Não quer a cremosa?&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>&#8220;Não, se arder um pouquinho não faz mal.<span> </span>É melhor para aplicar&#8221;<span> </span>-<span> </span>Não havia mencionado o lance do leite de colônia. Se tivesse feito talvez ela me encaminhasse para um psiquiatra.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>Finalizamos a consulta e fui embora todo feliz.<span> </span>&#8216;Pelo menos essa noite eu mato estes bichinhos&#8217;, e olhava para meu tubo de spray exterminador de fungos causadores de micose.<span> </span>&#8216;Ah! Hoje vocês terão o que merecem!&#8221;.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>Cheguei em casa não pude tomar banho pois o banheiro estava ocupado.<span> </span>Fiquei no quarto ouvindo música em contagem regressiva.<span> </span>Daqui a pouco, daqui a pouco, daqui a pouco. Funguinhos intrometidos terão o que merecem! </span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>Finalmente tomei meu banho.<span> </span>Lavei bem a região do problema para que os fungos ficassem bem expostos.<span> </span>Cheguei ao quarto e enxuguei novamente para garantir uma boa aplicação do meu spray milagroso. <span> </span>Não devia ser uma visão muito agradável, mas sozinho no meu quarto com a porta trancada, qual o problema de ficar pelado na cama com as pernas abertas. Dei uma borrifada. </span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>AAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="O grito" src="http://grenal.files.wordpress.com/2008/03/el_grito.jpg" alt="" width="300" height="389" /></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>&#8220;Pode arder um pouquinho??&#8221;<span> </span>ARDEU muito, muito, muito mesmo.<span> </span>Descobri que existe um canal direto entre a virilha e o cérebro.<span> </span>Deus do céu!! A intenção é matar os fungos ou a mim?<span> </span>Fiquei paralisado de tanta dor. Certamente minha alma saiu do corpo para gritar. Doutora linda, atraente do inferno!</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" title="Médica do inferno!" src="http://www.ratewall.com/cpics/elle_driver.jpg" alt="" width="250" height="374" /></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span> </span>Depois de alguns minutos alucinógenos de dor, consegui respirar e voltar em  si.<span> </span>A minha ‘vingança’ contra a micose voltara-se contra mim.<span> </span>Milhões de por quês vinham em minha mente. Merecia aquilo de fato?<span> </span>Minha namorada me convenceu a continuar o tratamento. Além do spray assassino tinha uns comprimidos anti-alguma coisa.<span> </span>Uma semana mais tarde estava curado.<span> </span></span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">A lembrança daquela dor ainda me assombra em alguns pesadelos, mas não posso me preocupar muito. Vai que a imunidade cai.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Luzia sonha&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Sep 2008 15:17:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mersao</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Pessoal]]></category>

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		<description><![CDATA[Luzia olhava no sentido do nada. Embalada pelos movimentos frívolos do homem que, deitado sobre ela, a penetrava freneticamente. Era um cliente conhecido. Sempre calado, chegava, aproveitava os quarenta e cinco minutos pelos quais pagara e ia embora. Sempre procurava por Luzia. Quando não a encontrava simplesmente ia embora. Eram cerca de três e meia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Luzia olhava no sentido do nada. Embalada pelos movimentos frívolos do homem que, deitado sobre ela, a penetrava freneticamente. Era um cliente conhecido. Sempre calado, chegava, aproveitava os quarenta e cinco minutos pelos quais pagara e ia embora. Sempre procurava por Luzia. Quando não a encontrava simplesmente ia embora.<span> </span>Eram cerca de três e meia da madrugada de uma sexta feira de maio. Quando Luzia o atendeu já avisou à cafetina de que seria o último daquela noite. Ela tinha coisas importantes a fazer naquela manhã. O homem pulsava como um animal copulando. Suava copiosamente. Luzia embalava o seu script. <span id="more-65"></span>Gemia, contorcia-se a ponto de fazer o cliente achar que ela sentia algum prazer. No âmago ela só sentia nojo, ódio daquela vida, ódio de homens.<span> </span>O cliente ia chegar ao orgasmo. Seguindo aquilo que fazia com maestria, o induziu ao êxtase.<span> </span>Um tapa na cara. Uma ardência leve que valia os cinqüenta reais a mais que recebia por aceitar tal violência. Acabou. Três infinitos minutos depois ele já caminhava para o banho. Ela o ajudou. Ele foi-se. Ela pegou seu dinheiro, um mil e quatrocentos reais naquela noite. Chamou um táxi e foi para casa.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><a href="http://mersao.jaca.com.br/files/2008/08/lagrimas.jpg"><img class="size-medium wp-image-71   aligncenter" title="Lágrimas" src="http://mersao.jaca.com.br/files/2008/08/lagrimas-268x300.jpg" alt="" width="268" height="300" /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">A foto de Ana Elisa era um bálsamo para seu auto desprezo. Se existia um motivo por ela ainda estar fazendo o que fazia era Ana Elisa. Passou as mãos sobre o retrato da filha sobre a estante. Estava ansiosa por vê-la naquela manhã. Seria a apresentação do dia das mães na escolinha. Luzia entrou no chuveiro para tomar seu banho. Lavava-se como se estivesse saído de um pântano. Muito sabão para tentar tirar o cheiro de homem que ela não parava de sentir. Movimentos frenéticos com as mãos.<span> </span>A bucha caminhava pelo seu lindo corpo. Mas o que Luzia queria limpar já era inerente à pele.<span> </span>No banheiro enevoado num flat dos jardins em São Paulo, lágrimas misturavam-se à água do banho. Já eram cinco horas da manhã quando ela saiu do chuveiro. Vestiu-se. Às cinco e trinta havia na sala uma mulher altiva, linda, morena de olhos verdes profundos como um lago escocês. Olhou para o retrato de Ana Elisa. ‘Você merece’, pensou. Desceu à rua e chamou um táxi.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Rodoviária do Tietê. Maior terminal rodoviário da América latina. Milhares de pessoas dando vida àquela grande armação de concreto. Uma linda mulher caminhava em direção às cabines que vendiam bilhetes de passagens. Viação Reunidas. Destino: Sorocaba.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Rodoviária de Sorocaba. Uma linda morena dirigia-se rumo ao ponto de táxis.. Táxi até a casa de Lourdes. Nove horas da manhã. Luzia toca a campainha da casa. Se alguém um dia conseguisse descrever o que é cumplicidade, descreveria a relação de Luzia e Lourdes. Irmãs com uma história riquíssima. Fizeram de um passado sofrido o alicerce para uma vida de grandes batalhas. Sem censuras nem cobranças. Aceitavam suas opções e se ajudavam. O lema era: se você se prejudica, sem prejudicar ninguém, então a escolha é sua e eu não devo interferir. Assim Luzia era uma prostitua de luxo em São Paulo e Lourdes uma secretária executiva em Sorocaba.<span> </span>Lourdes recebeu a irmã com um abraço. A mesa do café estava posta. Como sempre completa. Se fossem comer tudo que havia ali ficariam sentadas até à tarde. A apresentação de Ana Elisa seria às onze horas. A escolinha ficara a dez minutos andando. Deu tempo para colocarem a conversa em dia.<span> </span>Os assuntos sempre circulavam pelos últimos tempos. Tocar no passado era dolorido.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Chegaram juntas à escola. Ana Elisa era a única criança que ira homenagear duas mães. Sentaram-se num local de ótima visibilidade. Dez minutos mais tarde o show começou. Ana Elisa representava Maria, mãe de Jesus. Estava usando um vestido típico de filme bíblico. Sua pele oliva e seus olhos cor de mel iluminavam o palco. Luzia emocionou-se ao ver a filha. Quanta pureza. Pediu a Deus que a abençoasse. Que não a castigasse pela mãe que tinha. Ao ver Ana Elisa tão linda no palco lembrou-se que foi quando ela tinha esta idade que seu pai entrou no quartinho que dividia com Lourdes e aconteceu pela primeira vez. Dor, sangue, medo. Sua mãe apanhando, Lourdes passando pela mesma situação. Uma luz forte. Luzia voltou ao presente. Era dolorido demais pensar no passado. Ana Elisa vinha correndo do palco com duas rosas nas mãos. Uma para cada mãe.<span> </span>Luzia chorou a cântaros.<span> </span>Lourdes era mais contida. Seguiu-se a festinha. À uma hora da tarde estavam em casa. Lourdes que havia tirado a manhã de folga por causa da festa, fora para a empresa.<span> </span>Luzia ficou com a filha. Ligaram a TV. A tarde prometia ser fria. Pegaram um edredom e ficaram juntinhas assistindo a um documentário sobre animais selvagens. Ambas amavam o assunto. Luzia estava muito cansada. Pediu colo para própria filha. Explicou que havia trabalhado na casa noturna até tarde.<span> </span>Adormeceu. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Lourdes ficou impressionada com a calma com que a sobrinha aceitara a morte da mãe. O legista confirmou que o consumo excessivo de anfetaminas enfraquecera demais o coração de Luzia. Sábado de manhã. Lourdes enterrou sua irmã. Estuprada pelo próprio pai durante anos, escolhera o sexo como profissão. Sonhava parar um dia e viver uma vida normal ao lado da filha. Que bom que, ao menos, ela sonhou.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"> </p>
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		<title>Filho EMO</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Aug 2008 02:02:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mersao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[
&#8211; Oi mamãe!
&#8211; Oi filho.
&#8211; Oi papai!
&#8211; Oi filho&#8230;. Opa! Que você fez no cabelo?
&#8211; Escureci, só.
&#8211; E esse penteado? Filho, você não virou um&#8230;
&#8211; Um o quê, papai?
&#8211; Você não anda ouvindo good charlotte, ene xis zero, evanescence, não é?
&#8211; Sim papai, não dá pra negar.
&#8211; Meu Pai do céu! Por quê?
&#8211; Esse mundo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><br />
&#8211; Oi mamãe!<br />
&#8211; Oi filho.<br />
&#8211; Oi papai!<br />
&#8211; Oi filho&#8230;. Opa! Que você fez no cabelo?<span id="more-39"></span><br />
&#8211; Escureci, só.<br />
&#8211; E esse penteado? Filho, você não virou um&#8230;<br />
&#8211; Um o quê, papai?<br />
&#8211; Você não anda ouvindo good charlotte, ene xis zero, evanescence, não é?<br />
&#8211; Sim papai, não dá pra negar.<br />
&#8211; Meu Pai do céu! Por quê?<br />
&#8211; Esse mundo opressivo, esse capitalismo, tanta violência gratuita, o desamor crescente&#8230; Sim papai, sou emo!<br />
&#8211; Nããããõooooo!! Meu Deus! Onde foi que eu errei?<br />
&#8211; Joana, você ouviu isso!!??<br />
&#8211; Calma Ademar! Pelo menos ele não usa droga, não rouba. &#8211; Disse Joana enquanto fazia o jantar.<br />
&#8211; Meu filho! Pelo amor de Deus! Por que você está fazendo isso comigo?<br />
&#8211; Pai, ser emo não é crime!<br />
&#8211; Que vergonha&#8230; E se meus amigos descobrirem? Seu tio Adélio, o que ele vai pensar?<br />
&#8211; Pai! O tio Adélio tem um filho gay que no caso é meu primo Juninho!<br />
&#8211; Gay tudo bem, mas emo!!! Por quê! Por quê!!<br />
&#8211; Papai!!!<br />
&#8211; Não me chame de pa pai!!! É só pai, seu emo filho da puta!<br />
&#8211; Ademar!!!! O que você disse aí?<br />
&#8211; Joana foi força de expressão, mas você bem que merece essa culpa mesmo! No mínimo foi por causa dessa sua mania de assistir novelas do Manoel Carlos! Ta feliz agora?<br />
&#8211; Papai, a mamãe não tem nada a ver com isso! Já sou bem grandinho pra decidir por mim!<br />
&#8211; Cala boca sua bicha desandada!<br />
&#8211; Papai!<br />
&#8211; Ademar!<br />
&#8211; Eu não mereço isso! &#8211; Gritou Ademar com toda força que teve. Certamente os vizinhos assustaram-se. E de repente, tudo ficou escuro.<br />
Ademar sonhava que era um fazendeiro típico do meio oeste americano. Com um garfo de feno arrumava o monte que seria embalado pela máquina. Via Joana ao longe, pela janela de sua casa estilo Cottage provavelmente fazendo uma torta de maçãs. Um riacho corria sonolento mais ao fundo fazendo o barulho de uma sala de estar de uma clínica. No horizonte uma menina vinha correndo saltitante como uma gazela, sem preocupações, com um cesto cheio de cogumelos. Sussurrava uma música meio melódica e vinha sorridente ao seu encontro com seus cabelos negros, extremamente lisos e caindo sobre os olhos. Quando chegou próximo percebeu que a menina era o seu filho&#8230;<br />
&#8211; AAAaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!<br />
Este grito foi mais assustador do que o que teve antes de entrar em colapso e ter sido induzido ao coma. Seis dias depois Ademar acorda num quarto branco de uma clínica de repouso onde o doparam para que não morresse do coração.<br />
&#8211; Joana! Joana! Joana!<br />
&#8211; Calma seu Ademar, a dona Joana já está vindo.<br />
Apressada e com cara de desespero, Joana entra no quarto.<br />
&#8211; Ademar do céu! Homem de Deus, como se sente?<br />
&#8211; Joana. Foi sonho?<br />
&#8211; O que Ademar?<br />
&#8211; Emo?<br />
&#8211; Ademar! Quanta besteira por essa tolice! Repouse homem! Tem sorte de não ter morrido por causa desse seu gênio.<br />
&#8211; Cadê ele?<br />
&#8211; Depois que te socorreu te carregando no colo até o carro, entrou em depressão.<br />
Ademar olhou para o nada. Parecia irreversível. Tinha que aprender a aceitar. O filho era mesmo emo. Agora só tinha que encontrar uma maneira de convencer o Adélio de que ter filho emo é melhor ou no mínimo a mesma coisa de que ter um filho gay.</span></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><img title=":(" src="http://coolaggregator.files.wordpress.com/2008/05/emo_kid_.jpg" alt="EMO" width="300" height="399" /><p class="wp-caption-text">EMO</p></div>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><strong>Não deixe de assistir: </strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=OATq8YrIz-c">Confissões de um EMO</a></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Laurentina</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Aug 2008 00:18:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mersao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[Laurentina torceu o pano de chão naquela tarde de quinta feira e terminou de enxugar o piso de vermelhão de sua cozinha. Jogou a água do pequeno balde no tanque que ficava ao lado da porta de saída da cozinha e encostou o rodo na parede. O pano transformou-se num capacho. Assim, quando Euzébio chegasse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Laurentina torceu o pano de chão naquela tarde de quinta feira e terminou de enxugar o piso de vermelhão de sua cozinha. Jogou a água do pequeno balde no tanque que ficava ao lado da porta de saída da cozinha e encostou o rodo na parede. O pano transformou-se num capacho. Assim, quando Euzébio chegasse mais tarde, poderia limpar seus pés antes de entrar. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Sua casa era simples. Cozinha, quarto e banheiro. Ficava numa viela úmida na região chamada Glicério no centro de São Paulo. <span id="more-58"></span>Limpar a própria casa era um prazer imenso. Laurentina, que chamavam de Tina, era faxineira. E das boas. Tinha todos os dias ocupados de segunda a sábado. Domingo era o único dia de descanso. Chegava em casa sempre antes de Euzébio que era porteiro num prédio na rua Barão de Itapetininga. Evangélicos, tinham uma vida pacata. A casa simples ali no Glicério era um sonho que realizara.<span> </span>A escritura não existia. O medo de perderem a posse de seu lar era aliviado com as orações fervorosas na imensa igreja que ficava próxima dali. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Sua vida pregressa era uma coisa a esquecer. Alcoolismo, aborto, casamentos efêmeros e tudo aquilo que a atual religião pregava como coisa do diabo. Já Euzébio era um cidadão opaco. Conheceram-se na igreja no dia em que Tina convertera-se.<span> </span>Já se passaram cinco anos e ambos viviam bem. Sexo era ruim, mas também era pecado. Não podia se queixar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">A casa estava limpa. Tina observou o chão brilhando, as panelas tão limpas que pareciam espelhos. Os copos na pequena cristaleira. Um jogo de meia dúzia, intocados, mais alguns tantos de diversas cores e tamanhos. Presentes das patroas.<span> </span>Puxou uma cadeira que ainda mantinha o plástico com o qual viera da loja. Assim as mantinham para que durassem mais. Acabara de pagar a última do carnê. Tinha que ter cuidado. Estendeu um pano de copa muito branco sobre a mesa, pegou do armário um saco com feijão e despejou um punhado sobre o pano. Sentou-se e colocou-se<span> </span>a escolher o feijão.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Pensou sobre o dia seguinte, sexta feira. A patroa da sexta era um tanto quanto nervosa, mas a casa era fácil de manter. Cinco horas no máximo estaria em casa.<span> </span>Não podia perder o culto daquela sexta-feira. Seria com um pastor famoso que aparecia até na televisão.<span> </span>Sorriu.<span> </span>Agradeceu a Deus por ter uma vida boa apesar do que fora no passado. Uma casa do seu gosto, um homem bom, emprego e dinheiro para manter a casa e pagar o dízimo.<span> </span>Era realmente uma pessoa de sorte.<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Concentrou-se no feijão.<span> </span>Estranhamente não conseguia fixar os olhos no que estava fazendo. As cores começaram a se misturar. Sentiu uma tonteira leve e os lábios formigando. Pensou em pegar um copo d’água. Levantou-se. Tudo girou muito rapidamente. Sentiu o corpo batendo no chão. Frio. Escuridão.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Euzébio guardou o corpo da esposa sozinho durante aquela noite no cemitério da quarta parada. Para o enterro vieram conhecidos, irmãos da igreja e uma das patroas.</span></p>
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		<title>Araúna 165</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Jul 2008 18:01:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mersao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[Eco Vitta]]></category>
		<category><![CDATA[Fortenge]]></category>

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		<description><![CDATA[Este relato tem como objetivo mostrar como uma conquista pessoal muito importante para mim transformou-se no maior de meus pesadelos. Mostrar o descaso com que a construtora Fortenge trata seus clientes.
Em 2006 decidi ter meu próprio canto. Com trinta e três anos de idade já era hora de enraizar-me. Como não pretendo, pelo menos por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Este relato tem como objetivo mostrar como uma conquista pessoal muito importante para mim transformou-se no maior de meus pesadelos.<span> </span>Mostrar o descaso com que a construtora <a href="http://www.fortenge.com.br" target="_blank">Fortenge </a>trata seus clientes.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Em 2006 decidi ter meu próprio canto. <span id="more-26"></span>Com trinta e três anos de idade já era hora de enraizar-me. Como não pretendo, pelo menos por hora, casar-me, procurei por um apartamento pequeno onde pudesse morar bem sem comprometer minha vida social em função de um financiamento.<span> </span>E foi em outubro deste mesmo ano que optei por um apartamento de 45m2 no Sacomã em São Paulo.<span> </span>Preço dentro do que eu pretendia, localização dentro do que eu procurava.</span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Primeira decepção:</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">A venda foi realizada pela conceituada <a href="http://www.lopes.com.br/" target="_blank">Lopes</a>.<span> </span>Vendedor: Horvat que atualmente mudou de alcunha e agora atende como Tomazine.<span> </span>Na hora da compra eu disse a este senhor que gostaria de mudar a cozinha para transformá-la numa cozinha americana.<span> </span>Isto implicaria em fazer uma abertura na parede entre a cozinha e a sala. Ele disse que este procedimento era permitido sem problemas para apartamentos em andares acima do sexto. O meu apartamento é o décimo sexto (último andar) e então não haveria qualquer problema. </span></p>
<div id="attachment_35" class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><a href="http://mersao.jaca.com.br/files/2008/07/lopes1.jpg"><img class="size-medium wp-image-35" title="lopes1" src="http://mersao.jaca.com.br/files/2008/07/lopes1-300x238.jpg" alt="à beira de um infarto" width="300" height="238" /></a><p class="wp-caption-text">à beira de um infarto</p></div>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><strong>Mas houve:</strong></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">A forma com que o prédio foi construído impede qualquer alteração nas paredes, pois isso comprometeria a estrutura do prédio.<span> </span>Chamam isso de Alvenaria Estrutural. Minha cozinha americana foi para o espaço.<span> </span>Transformar minha cozinha num balcão de bar para receber meus amigos ficou para quando eu puder comprar outro apartamento de outra construtora e outra vendedora é claro.<span> </span>Quando reclamei na <a href="http://www.lopes.com.br/" target="_blank">Lopes </a>sobre o fato o retorno que tive foi: Senhor. realmente não dá para mexer nas pareces por que isso abalaria a estruturas, blá, blá, blá&#8230; Abriremos uma não conformidade interna para tratar o caso.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Mas e eu com essa não conformidade interna? O que eu ganho com isso? Vocês me enganaram, mentiram para mim e responderam o óbvio.<span> </span>Parabéns pra vocês por não resolverem nada.</span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Segunda decepção:</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong></strong><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">A obra ficou pronta dentro do prazo. Em dezembro de 2007 eu passava com olhos pidões ao redor do condomínio. Tudo pronto e:</span></p>
<h1><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;"><span style="color: #ff0000;"><strong>Fortenge silencia.</strong></span></span></h1>
<div id="attachment_32" class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><a href="http://mersao.jaca.com.br/files/2008/07/eco02.jpg"><img class="size-medium wp-image-32" title="Eco01" src="http://mersao.jaca.com.br/files/2008/07/eco02-300x160.jpg" alt="Parte da promessa.  Cadê o pomar?" width="300" height="160" /></a><p class="wp-caption-text">Parte da promessa. Cadê o pomar?</p></div>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Isso mesmo, a obra foi <a href="http://www.ecovittaipiranga.com.br/" target="_blank">concluída </a>e a <a href="http://www.fortenge.com.br" target="_blank">Fortenge</a> simplesmente ficou quieta. Não se pronunciava para nada.<span> </span>Quando ligava lá a competente atendente que contrataram para seus clientes nunca conseguir informar nada decentemente. Passaram janeiro, fevereiro e março.<span> </span>Nada de informações.<span> </span>Nenhum cuidado foi demonstrado. Sentia-me como se eu estive reclamando sobre a compra de uma dúzia de ovos. </span></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Terceira decepção e consolidação do pesadelo:</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Em abriu saiu o habite-se. Mas só da torre Araúna.<span> </span>Começaram as convocações para a vistoria dos apartamentos.<span> </span>Eu estava no Chile e meu amigo e também vítima informou-me por e-mail.<span> </span>No dia que cheguei em São Paulo, antes mesmo de passar pela alfândega já liguei pra <a href="http://www.fortenge.com.br" target="_blank">Fortenge</a>.<span> </span>Diálogo com a Senhora Rejane: </span></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">(eu) Oi Rejane, soube que as vistorias do Araúna começaram, queria saber quando farei a minha.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">(Rejane) Qual seu apartamento? (eu já havia informado)</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">(eu) O 165, Rejane.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">(Rejana) Ah! A vistorias começaram do décimo quinto para baixo, o seu apartamento será o último.<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">(eu) Por quê??</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">(Rejane) Isso é com quem agenda. Foi agendado assim. Vão te ligar.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">(eu) No é possível, tem que ter um motivo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">(Rejane) Eles vão te ligar, Emerson&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Bem, eu tive que reenviar meus dados de telefone, pois segundo esta atendente teria que atualiza-los. Fui pessoalmente até o prédio para tentar descobrir o porquê das vistorias terem iniciado do décimo quinto para baixo e descobri que houve uma falha no telhado e meu apartamento tinha alagado com chuvas. Eles estavam repintando e trocando as portas. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">No dia 07 de maio de 2008 finalmente entrei no apartamento e fiz a vistoria. Mas encontrei um apartamento diferente do que eu comprei. Perdi uma área útil perfeita para um armário que ficaria atrás da porta de entrada.<span> </span>Demais itens estavam dentro do aceitável.</span></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Fiquei então no aguardo para a convocação da primeira reunião de condomínio.<span> </span>Ligaram-me para que fosse até a <a href="http://www.fortenge.com.br" target="_blank">Fortenge </a>para tratar dos últimos detalhes antes da reunião de condomínio e a sonhada entrega das chaves.<span> </span>Fui até lá e ocorreu o seguinte:</span></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<ul style="margin-top: 0cm;" type="disc">
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Falei com uma representante da Caixa Econômica Federal que me explicou o motivo da demora: um erro na medição do terreno (erro crasso comum em amadores) e este erro impedia que a documentação do empreendimento fosse liberada pela prefeitura. Como a diferença era para menos, assinei um termo concordando que a diferença seria agregada ao terreno pegando-se uma área do terreno ao lado que é da <a href="http://www.fortenge.com.br" target="_blank">Fortenge</a>. </span></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Falei com a atendente Rejane que me explicou que a <a href="http://www.fortenge.com.br" target="_blank">Fortenge </a>estaria dando em troca do erro da planta um box mais alguns acessórios para o banheiro. Como no momento não dava para brigar por mais nada aceitei.<span> </span>Ela disse que isto estaria instalado até a entrega das chaves.<span> </span>Mais um mentira pelo visto. Falei com moradores que estão reformando seus apartamentos e até agora (20/07/2008) não instalaram nada. </span></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Falei com a Senhora Regina que cuida da parta de cobrança, e isto ela faz muito bem, que me explicou sobre a diferença do INCC e das condições para a entrega das chaves. Eu deveria pagar o INCC e quanto as anuais de 2008 e 2009 deveria ter um fiador ou adiantar o pagamento.<span> </span>Se eu tivesse tudo isto resolvido no dia 13 de junho de 2008, <strong>no dia 17 eu teria as chaves em mãos<span style="font-weight: normal;">. Isto</span><span style="font-weight: normal;"> a Senhora Regina me prometeu.<span> </span></span><span style="font-weight: normal;">Eu acreditei nela e foi mais uma que eu caí com esta empresa</span></strong><strong><span style="font-weight: normal;">. No dia 13 de julho desembolsei mais de nove mil reais de uma só vez para que isto tudo estive certo conforme prometido.</span></strong></span></li>
</ul>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">A reunião de condomínio do edifício Araúna ocorreu no dia 16 de junho de 2008.<span> </span>Foram momentos de muita briga, discussão e desabafos.<span> </span>Eu estava perdido, acreditando ainda nesta empresa e cheguei a me desentender com alguns futuros vizinhos.<span> </span>Uma minoria já estava sabendo das mentiras da <a href="http://www.fortenge.com.br" target="_blank">Fortenge</a>, das informações sobre a Caixa Econômica descasadas, sobre o habite-se que não valia nada.<span> </span>Eu, infelizmente fazia parte da maioria.<span> </span>A reunião acabou com o condomínio instalado.</span></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">No dia 17 de julho de 2008 liguei na <a href="http://www.fortenge.com.br" target="_blank">Fortenge </a>para saber se poderia ir buscar minhas chaves e fui informado de que não poderia ir buscá-las. Disseram que era problema da Caixa e que esta instituição que não queria liberar o dinheiro. Que a Fortenge fizera tudo de forma correta e um caminha de mentiras que é a forma como eles trabalham.</span></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Depois disto eu assumi que sou um trouxa muito bem trapaceado por esta construtora. Através de contatos que peguei no dia na reunião de condomínio me aproximei da galera que já havia algum tempo estava se reunindo e descobri, não sem amargar a boca, de que não sabia de quase nada.</span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Fatos relevantes:</span></strong></p>
<ol style="margin-top: 0cm;" type="1">
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">O habite-se de uma única torre não serve para que a Caixa Econômica Federal libere os recursos para a <a href="http://www.fortenge.com.br" target="_blank">Fortenge</a>;</span></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">A <a href="http://www.fortenge.com.br" target="_blank">Fortenge </a>demorou muito tempo para responder aos questionamentos da prefeitura em relação ao processo de regularização da obra;</span></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">A <a href="http://www.fortenge.com.br" target="_blank">Fortenge </a>não respeitou o limite mínimo necessário entre uma construção e outra. O estacionamento construído está encostado no prédio da frente que já tem 55 anos de existência. Isto está impactando na regularização da área comum;</span></li>
<li class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">O terreno que vão incorporar ao condomínio fica numa área de acesso difícil e não terá muita utilidade;</span></li>
</ol>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Este é meu pesadelo atual. Já paguei mais da metade do apartamento, ele está pronto e não posso morar nele. Agora só resta protestar.</span></p>
<p class="MsoNormal">E se você não assistiu, não deixe de ver: <a href="http://maisband.band.com.br/cqc/?id=49be2084eaac191424cdf7572075eaaf">Proteste Já no CQC</a></p>
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		<title>A menina que coisava quando ficava nervosa&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jun 2008 01:43:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>mersao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[Não era fácil para a menina aceitar sua cruel situação. Tinha um humor muito sensível, qualquer coisa a tirava do sério. Naquela idade, com os hormônios pululantes, a vida se mostrando como um caminho de inúmeras alternativas, ficar nervosa era habitual. Não passava um dia sequer sem que se irritasse com alguma coisa. O ruim [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Não era fácil para a menina aceitar sua cruel situação. Tinha um humor muito sensível, qualquer coisa a tirava do sério. Naquela idade, com os hormônios pululantes, a vida se mostrando como um caminho de inúmeras alternativas, ficar nervosa era habitual. Não passava um dia sequer sem que se irritasse com alguma coisa. O ruim era que, toda vez que ela ficava nervosa, ela coisava.<span> <span id="more-8"></span></span>Às vezes, logo após já ter coisado, percebia inúmeros olhares sobre ela. Olhares patéticos, contendo o riso, olhos afetuosos, olhos alegremente assustados.<span> </span>As pessoas achavam lindo o jeito com que ela coisava. Mas ela odiava coisar. E quanto mais elogiavam seu jeitinho de coisar mais ela odiava esta situação. Quando alguém não resistia e comentava:<span> </span>‘vejam que coisa mais fofa!’,<span> </span>ela ficava mais nervosa ainda e acabava coisando mais. Tinha onze anos de idade, cabelos ruivos e fartos de uma lisura invejável. Pele oliva e olhos verde mel. Um nariz pequeno e incrivelmente presente. Sobrancelhas espessas e um perfil aquadradado que anunciava uma futura mulher extremamente atraente.<span> </span>Havia pouco tinha menstruado pela primeira vez. Foi um dia terrível. Aquela manifestação fisiológica, incontrolável, que veio sem ser convidada a deixara coisada por quase uma semana. Sua mãe orgulhosa da sua mocinha não ajudava em nada, ao contrário, contribuía para que ela coisasse ainda mais. De família com ascendência italiada, populosa e ruidosa, era a neta mais jovem. Tinha primos com idade para serem seus pais. Todos faziam questão de, na melhor das intenções, atormentá-la de alguma forma afim de força-la a coisar. Se isto acontessece numa reunião de família era delírio geral. Todos adoravam a situação. Uma tia mais velha, gorda e com carinho excessivamente tangível, ficava tão excitada ao vê-la coisando que falava com ela com grunhidos e pieguices de quem fala com um bebê de dois meses.<span> </span>Ela odiava reuniões familiares.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Todo mundo coisava, isto era claro para ela. Mas por que ela tinha que coisar tanto e com tanta intensidade? Na escola, observava suas amigas, uma ou outra coisava com certa freqüência, mas nada comparado à sua situação. Alguns professores demonstravam certo prazer ao vê-la coisar. O garotos, aqueles idiotas, a provocavam para que ela coisasse. Como aquilo era odioso!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">A menina escolheu um caminho para evitar a situação odiosa. Começou a evitar as pessoas. Mantinha, claro, as amigas. Mas deixou de ir em festinhas, ficava à margem das reuniões familiares, em sala de aula evitava ao máximo qualquer tipo de exposição.<span> </span>Para compensar a fata de convívio pessoal, desenvolveu o gosto pela leitura. Talvez, prazer fosse a palavra mais correta para este caso. Começou com algumas histórias próprias para sua idade. Descobriu uma coleção chamada Vaga-Lume que era composta por mais de trinta livros. Leu todos. Agatha Christie foi atacada sem piedade por quase um ano. Sidney Sheldon e Harold Hobbins foram devorados sem piedade. Outros autores de best-sellers entraram na lista e assim passaram-se alguns anos. A menina era uma moça. Há muito tempo não coisava mais.<span> </span>Às vezes, com um livro nas mãos, sentada no intervalo entre as aulas, olhava suas, já não tão íntimas, amigas num grupinho e não conseguia imaginar-se junto a elas. Aquela conversinha fútil não era para ela.<span> </span>Ler incansavelmente a tornara uma mulher objetiva, mais inteligente que a média. Tinha um irritante senso crítico sobre tudo, que amedrontava a maioria das pessoas. Saramago, Garcia Marquez, Ernest Hemingway, Jorge Mario Vargas Llosa eram seus atuais amigos. Também algumas incursões no mundo complicado de Stephen Hawking, Einstein, Darwin entre outros.<span> </span>Commumente passava o intervalo conversando com os professores sobre assuntos que iam da política à religião, dos esportes à esploração espacial. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Escolheu economina como profissão. Prestou vestibular em três das mais disputadas universidades para este curso no país,<span> </span>e pôde escolher entre as três.<span> </span>Não se escondia mais de pessoas. Nas reuniões familiares ficava junto aos outros, saía às vezes para se divertir, na universidade comportava-se de forma insuspeitavelmente normal indo, inclusive, às festas que aconteciam nas casas onde viviam os estudantes de outras cidades. Já não tinha mais medo de coisar, aliás, não conseguia lembrar-se da última vez que tinha coisado. Lembrava-se apenas do constrangimento e irritação que a acompanharam até sua puberdade. Lembrava-se de seu primeiro namorado, aos quatorse anos, pelo qual ela era perdidamente apaixonada. Sonhava com ele tudo que uma inocente menina de quatorze anos consegue num sonho de amor. Até o dia que ela descobriu que ele só estava com ela porque adorava o jeito que ela coisava. O amor foi-se embora junto com a vontade de namorar. Decidiu naquele dia que seria lésbica, a exemplo de uma personagem de um livro de Rosamunde Pilcher que a marcara muito. Toda vez que lembrava desta situação não deixava de rir de si mesma. Ser lésbica não era uma decisão. Aos dezessete, descobriu com a ajuda de um norueguês que fazia intercâmbio em sua escola, que era heterosexual. Aquele vicking deixara saudades. Essas lembranças no geral eram irônicas. Ela defendeu-se do mundo, de uma situação, de uma sensação desconfortante e deu certo. Estava vencendo. Era respeitada. Mas também era temida.<span> </span>E ela vinha percebendo isto já algum tempo. Era bem vinda nas rodas familiares, de colegas, mas percebia que as pessoas pensavam no que iam falar a ela. Não agiam de forma natural. Pareciam ter medo de falar alguma besteira. Mais tempo dedicado aos livros e tão pouco tempo às coisas cotidianas a fizeram atípica, inacessível. Isso a incomodou muito. Era resultado de uma desição tomada na adolescência que não tinha volta. Não que ela conseguisse enxergar um retorno.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Concluiu a faculdade como a melhor aluna. Sem espanto para quem a conhecia. Pode escolher a empresa que iria trabalhar e escolheu uma indústria química multinacional. No primeiro ano percorreu quatro áreas distintas da empresa desenvolvendo pequenos projetos em cada uma delas. Pequenos mas de sucesso e boa repercussão. No início do terceiro ano na empresa assumiu um departamento voltado ao planejamento financeiro. Uma secretária e mais oito suborninavam-se a ela. Todos mais velhos. Tinha uma competência notável. Aos vinte e seis anos era uma estrela dentro da corporação. Viagens internacionais eram freqüêntes. Reuniões e seminários eram rotinas. Workaholic, trabalhava em média doze horas por dia. Se comprometia-se com algum prazo, cumpria.<span> </span>A vida profissional ia de vento em popa.<span> </span>A vida pessoal era esmagada pelo trabalho. Comprara um belo e aconchegante apartamento numa região nobre da cidade e a dois anos morava sozinha. Visitava a família uma vez ou duas ao mês. Presenteava pais e irmãos com ótimos presentes em seus aniversários e natal. Sentia que assim compensaria a ausência. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">A carreira ia bem. Na empresa cada vez mais valorizada. Viagens internacionais. Roupas finíssimas. Restaurantes e bares de primeira linha. Mas a menina que já era uma mulher estava só. Numa sexta, às quinze horas, desmarcou sua última reunião que era para as dezessete, avisou sua secretária que precisava sair para resolver um problema particular e se foi. Em seu corola pouco rodado, saindo da garagem que ficava no subsolo do prédio onde trabalhava, dirigia sem rumo. Queria ir ao encontro de alguma coisa que ela não possuia mais. Faltava-lhe simplicidade. Faltavam abraços, risadas à toa, descontração. Pegou uma avenida que servia de caminho para sua casa. Era uma sexta-feira de céu azul, ar seco e frio.<span> </span>O sol era um show à parte. As flamboians que habitavam o canteiro central da avenida, dava um toque melancólico àquela jornada rumo ao desconhecido. De repente viu um café que frenquentara pouquíssimas vezes. Com mesas na calçada, guarda-sois brancos, cadeiras e mesas de madeira, era um toque parisiense com forte presença.<span> </span>Decidiu parar alí. Deixou seu carro num estacionamento pouco a frente do café. Ao deixar seu sedã com o manobrista olhou para ele mais tempo que o<span> </span>de costume, como se o medisse. Quando percebeu que o deixara constrangido, disse boa tarde com ar de quem pede desculpas e caminhou até o café.<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Um garçom veio muito prontamente atender a linda ruiva que chegara ao café. Ela pediu uma mesa na calçada e ela a encaminhou até lá.<span> </span>Enquanto lia o cardápio sem muita certeza do que queria ou do que, de fato, estava fazendo ali, cheguaram duas estranhas. Mãe e filha. Uma mãe aparentando seus quarenta anos e sua filha com não mais do que dez anos. Também sentaram-se na calçada próximo à ela.<span> </span>Ela decidiu-se por uma frapê com chocolade amargo. Podia dar-se a estes luxos pois sempre fora magra sem nenhum esforço.<span> </span>O garçom veio, anotou seu pedido e retirou-se.<span> </span>Ela estava só. Olhava o movimento na avenida. Admirava o céu azul.<span> </span>Alguma coisa não estava certa mas ela não sabia o que era.<span> </span>Faltava um namorado? Amigos? Mais contato com a família? Tudo isto junto? Menos trabalho?<span> </span>Ela tinha uma coleção enorme de motivos para orgulhar-se de si mesma, mas naquele momento, isto não era importante. Algo a tirou de suas reflexões.<span> </span>Na mesa ao lado, mãe e filha começaram uma discussão.<span> </span>Nada absurda, aliás, uma discussão das que são comuns entre mães e filhas.<span> </span>A menina queria algo e argumentava com muita força. A mãe permanecia contra aquilo, seja lá o que fosse. Foi então, que no calor da discussão, a menina de tão nervosa, coisou.<span> </span>A espectadora que acabara de receber seu frapê, ao ver tal cena entrou num tipo de choque. Não pelo fato da menininha ter coisado, mas pelo fato dela ter achado aquilo lindo.<span> </span>Como um bombardeio de relâmpagos ela lembrou de cenas e cenas de sua infância. Lembranças de que havia coisado e as pessoas próximas declarado o quando gostavam daquilo. Na época ela odiava, mas agora não podia acreditar na sua própria opinião. Era lindo coisar.<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Mal provara seu frapê. Deixou uma nota de vinte reais sob o copo e foi embora.<span> </span>Dirigiu até seu apartamento como uma sonâmbula. Sua cabeça estava doendo de tanta coisa que aquela cena lhe trouxera. Deixou o carro em sua vaga, pegou o elevador, felizmente vazio, e finalmente estava em casa. Estava em sua toca.<span> </span>Em sua sala tinha um espelho que ocupava uma parede inteira. Parou em frente ao espelho e tentou coisar. Mesmo achando-se ridícula. Esforçou-se. Tirou os sapatos, o casaquinho que usava. Tentou novamente. A mulher refletida no espelho não coisou. Mas começou a chorar. Percebeu que durante a maior parte da sua vida, negou-se a receber carinho, negou-se ao convívio pacífico e simples, porque isso tudo parecia ridículo.<span> </span>Negou-se a algo que era belo e por isso venceu numa vida que não era a dela. Vivia uma vida que não era a dela. Concluiu, outrossim, que na verdade não vivia, disputava a vida.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: Verdana;">Decidiu que mudaria para melhor. Se ela conseguiu?<span> </span>Não se sabe.</span></p>
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