Blog do Mersão

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Na hora de empreender, não se esqueça do elemento humano

By mersao | October 19, 2008

Lembram daquela piadinha velha sobre a construção do mundo? Quando questionado sobre tantas belezas e recursos naturais num único país enquanto outros tinham tantas mazelas, Deus respondeu ao anjo: “Calma meu filho, você verá o povinho que colocarei ali.

Meu objetivo neste post é falar sobre o quanto tenho visto por aí da aplicação prática desta piada infeliz. Infeliz, é claro, para quem vive aqui e convive com a ‘lei de Gerson’ e também, para quem investe muito dinheiro num negócio novo, caprichando em tudo menos no principal elemento: o humano.

Não sou consultor empresarial, não ganho dinheiro dando conselhos nem sou empreendedor. Então, caro empreendedor, caso tenha paciência para ler este texto, faça isto como quem está sentado à mesa de um boteco ouvindo as opiniões de um cara que é especialista em uma coisa: ser consumidor e gostar de ser bem atendido.

Situação número um – descritivo.

Sábado de manhã me dirijo a um supermercado próximo de casa. Estou de jejum e então antes de fazer as compras decido ir até uma cafeteria que fica dentro do mercado para tomar um café e comer algo. O lugar é muito bonito. Um balcão de granito preto enorme rodeado por várias banquetas altas de alumínio e em seu interior tudo o que tem de melhor para uma loja especializada em vender café. Aproximo-me do balcão para pedir um café médio com leite mais um pão de queijo. A atendente está ao telefone. Naquele momento encontra-se só no atendimento da cafeteria. Aguardo o atendimento enquanto ela finaliza a ligação. Não consigo evitar ouvir à conversa. O assunto qual é? Namoro. Ela está com alguma amiga, presumo, reclamando do que o namorado fez na noite anterior. Passa tanto tempo ao telefone que consigo saber que eles já haviam terminado algumas vezes. Que o cara é mulherengo e beberrão. Que a mãe dela não gosta dele. Sei inclusive, que um amigo dele está querendo sair com ela e isto a está deixando tentada. Daí isto tudo me deixa enojado e resolvo sair. Do lado de fora tem uma cantina pequena e mal arrumada. Vou lá comer algo. A senhora que está do lado de dentro do balcão de azulejos encardidos lembra uma tia italiana e bonachona. Me é muito simpática e me atende de pronto. Como uma esfirra de carne e tomo um refrigerante. Nada comum para o que costumo comer no café da manhã mas a simpatia da dona da cantina fez valer a pena.

Situação número um – conclusões.

Primeiro queria deixar claro que a situação narrada não é fictícia. Eu realmente passei por isso. Daí você pode me chamar de impaciente, nervosinho e por aí vai. Mas eu como cliente, quero ser bem tratado. Eu pago por isto!

A atendente infeliz no namoro com certeza não é a dona da cafeteria. E com mais certeza ainda não tem em seu trabalho nenhum motivo de orgulho. E o dono(a) da loja? Onde estaria ele? Em casa dormindo o sono dos justos afinal é um proprietário e não um reles atendente? O que faz uma pessoa investir tanto dinheiro num negócio, pagar um aluguel bastante alto por um ponto num movimentado supermercado e colocar uma pessoa daquela estirpe para cuidar de tudo isto? Não quero crucificar a atendente. Ela não tem culpa. Duvido que tenha recebido algum treinamento que valesse a pena. A culpa é da pessoa que investiu mais no granito e nas banquetas de alumínio e esqueceu de que aquilo por si só não resolvia. Um negócio sem pessoas é só um prédio cheio de equipamentos. Não tem alma. Não encanta. Não fideliza. Não melhora, no caso, o gosto do café!

Situação número dois – descritivo.

Ao lado do meu trabalho tem um restaurante que não consegue definir sua personalidade. Não decide-se entre ser boteco ou restaurante. Mas isto não é problema. O problema é o que vou relatar.

Este local faz a melhor chuleta da região. Se você não se importa de sair de um local cheirando a bife, seria certamente um local que gostaria de freqüentar. A comida é simples e boa. Mas um dia o local fechou para reforma. Os dias iam passando e a fachada  ganhando cara nova. No trabalho confabulávamos sobre o que iria abrir ali. Tinha cara de padaria paulistana, aquelas que têm de tudo e o pão francês é só um detalhe. Seria ótimo pois faltava mesmo uma naquela na região. Coisa de três meses depois o local estava pronto. Bonito, com algumas televisões de plasma na parede, mesas de madeira novas e um balcão novinho e bem decorado. Mas não era padaria, era um restaurante boteco novamente. Na primeira manhã que vi a nova casa aberta parei lá para tomar um café. Gosto muito do meu local tradicional onde tomo café diariamente, mas sempre que surge algo novo gosto de experimentar. Uma bela máquina de café expresso dava o tom do local. Entrei e pedi um café mais um pão com manteiga. A moça que me atendeu quase me deixa surdo quando grita com fôlego de uma soprano espanhola “um pão com manteiga para o cara que estava lá na chapa. Não parou por aí. Ela retirou o café daquelas máquinas de coador onde o café sai sempre com gosto de pano e usou a máquina de café expresso apenas para esquentar o leite. Mais um detalhe, o cano de vapor da máquina estava sujo com leite já seco e ela nem sequer o limpou. Daí pra frente foi uma triste visão da falta de bom senso. O balcão estava sujo, tinha gente fumando dentro do local, os atendentes estavam com aventais bastante sujos e mais uma dezena de coisas impróprias. Foi a primeira e última vez que entrei lá.

Situação número dois – conclusões.

Tudo o que foi concluído na situação um cabe aqui. Só tenho mais uma pergunta: por que o proprietário(a) gastou tanto dinheiro? Por que não deixou como estava? Se tivesse comprado somente uma tevê de plasma em vez de três, ia sobrar dinheiro para um bom treinamento para os atendentes. No mais, tirem suas conclusões.

Situações diversas que já presenciei – descritivo.

Situações diversas que já presenciei – conclusões.

Para evitar todas estas situações descritas acima, não precisa de muito investimento. Precisa de treinamento.

Ah! É claro que no caso da troca das calças, aplicação da boa ética é fundamental. Mas isto deve-se avaliar no recrutamento e enfatizar na hora de ensinar o trabalho. O exemplo da boa ética vem sempre de cima para baixo. Se o proprietário for uma pessoa de caráter esta caracteristica irá evidenciar-se em seu negócio.

Eu falei de locais onde sempre o contato é face to face, cara a cara. Teria uma outra longa história só para falar sobre telemarketing, serviços por telefone, recepção de edifícios empresariais e por aí vai.

É isso!

Topics: Opinião |

3 Responses to “Na hora de empreender, não se esqueça do elemento humano”

  1. Charles Alves Says:
    October 23rd, 2008 at 2:29 pm

    Aff… Não se tem mais atendimento ruim igual ao do Seu Luiz. =)
    Onde eu trabalho não tem muitas opções para almoçar. Logo a hora do almoço pra mim é um momento estressante do dia. O melhor lugar pra almoçar lá tem atendimento péssimo desde a recepção até o pagamento. =)

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  2. Dirceu Says:
    October 28th, 2008 at 7:11 pm

    hauhauhuahuah fantástico o do boteco próximo ao trampo!

    abraços

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  3. Eduardo Says:
    November 7th, 2008 at 3:41 pm

    Bom isto por que você não comentou o dia que fomos a Av Paulista para um passeio cultural, estavamos em pleno verão tropical, sedentos feito camelos no deserto e paramos para apreciar uma gelada em um barzinho da Paulista. Primeira decepção 5 minutos para sermos atendidos, fomos atendidos por alguém que com certeza não estava animada para trabalhar num sábado a tarde. Segunda decepção CERVEJA QUENTE! Se você tem um boteco existe apenas uma única coisa que fideliza um bom bebedor, não é a gostosa da atendente (apesar de ela ajudar), não é o preço (pedimos desconto e choramos quando vamos comprar coisas caras não uma garrafa de cerveja), não é o local (pelo contrário lugares muito chiques reprime a espontenedade dos bebados) A ÚNICA COISA QUE REALMENTE ESPERAMOS é uma simples e saborosa CERVEJA GELADA. Claro acompanhada por dois copos limpos.

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